Fui uma criança quietinha, sem mimos e com poucos sonhos. No recreio da escola, sentava à porta da secretaria e ali ficava em silêncio, vendo o tempo passar. Não consigo me lembrar no que pensava, ou porque agia assim, no entanto, minha melancolia teve méritos diante de minha mãe. Afinal, era comportada e isso cobria minhas péssimas notas, principalmente em matemática. Sofria horrores para atingir a média, conseguia mesmo sem aprender.
Foram alguns anos naquela escola e algumas coisas lembro bem. Recordo que tinha vontade de ter dinheiro para comprar lanches, principalmente a pipoca de doce da venda do Zé Gomes.
Certo dia, entrei no supermercado e vi a delícia dos meus desejos de infância, levei dois pacotes pequenos para casa e dei um para meu filho, devorando o outro. Não satisfeita, comprei um ainda maior e em cada grão via a imagem da menina feia e com fome. Era gulosa, na verdade. Tinha até o apelido de "gusula", aquele bicho feio que devorava tudo, na Vila Séssamo.
Não pensem que passávamos necessidades, apenas não tinhámos para o supérfluo.
Mas aquela pipoca não era supérflua, era meu desejo, um tesouro que às vezes conseguia comprar quando saqueava as moedas dos irmãos. Que feio ter que confessar isso. rs
Bom mesmo foi o dia em que ganhei um pedaço de chocolate. Fiz um embrulho e resolvi levar para escola, afinal aquela gostosura causaria inveja a muitos. Pasmem! Peguei carona com um carroceiro e o embrulho se perdeu entre os solavancos. Meu desespero e frustação foram parar novamente na porta da secretaria.
Hoje posso comprar pipocas, mas não posso considerá-las meu objeto de desejo. Muito se passou daquele tempo e outras delícias povoam minha mente. Uma delas é poder resgatar a doçura da infância que tantos erros morais foram apagando.
Seria ótimo se todos os desejos fossem pipocas doce, talvéz assim eu sonhasse mais .
Foram alguns anos naquela escola e algumas coisas lembro bem. Recordo que tinha vontade de ter dinheiro para comprar lanches, principalmente a pipoca de doce da venda do Zé Gomes.
Certo dia, entrei no supermercado e vi a delícia dos meus desejos de infância, levei dois pacotes pequenos para casa e dei um para meu filho, devorando o outro. Não satisfeita, comprei um ainda maior e em cada grão via a imagem da menina feia e com fome. Era gulosa, na verdade. Tinha até o apelido de "gusula", aquele bicho feio que devorava tudo, na Vila Séssamo.
Não pensem que passávamos necessidades, apenas não tinhámos para o supérfluo.
Mas aquela pipoca não era supérflua, era meu desejo, um tesouro que às vezes conseguia comprar quando saqueava as moedas dos irmãos. Que feio ter que confessar isso. rs
Bom mesmo foi o dia em que ganhei um pedaço de chocolate. Fiz um embrulho e resolvi levar para escola, afinal aquela gostosura causaria inveja a muitos. Pasmem! Peguei carona com um carroceiro e o embrulho se perdeu entre os solavancos. Meu desespero e frustação foram parar novamente na porta da secretaria.
Hoje posso comprar pipocas, mas não posso considerá-las meu objeto de desejo. Muito se passou daquele tempo e outras delícias povoam minha mente. Uma delas é poder resgatar a doçura da infância que tantos erros morais foram apagando.
Seria ótimo se todos os desejos fossem pipocas doce, talvéz assim eu sonhasse mais .
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